Hugo.

Era verão, passava das 18h, estava muito calor, lembro de sentir como se meu corpo estivesse derretendo. Hugo parecia sentir o mesmo, já que estava igualmente suado, era incrível como mesmo depois do pôr do sol estava tão quente.

Os mosquitos zumbiam em nossas orelhas e davam voltas por cima de nossas cabeças, parecia que estavam se preparando para atacar, dois pedaços de carne á disposição.

Meu estômago estava inchado e dolorido devido à gastrite, precisava comer qualquer coisa naquele momento para amenizar, antes que ficasse pior, mas isso estava completamente fora dos planos.

Estávamos ali, sentados no murro do banco, a espera daquele Bebê que não nos atendia. Estávamos cansados de fazer pedidos que não eram correspondidos, agiriamos por nossa própria conta e risco, mas precisávamos de suas ferramentas.

O plano era bem simples, quando o bebê viesse, eu o seguraria com força , Hogo levaria o arco e flecha e sairíamos correndo.
Depois atiraríamos para qualquer lado, sem mirar em ninguém especificamente para ver se assim o destino levaria as fechas até aos nossos amores.

Meia hora depois, o bebê estava lá, vindo em nossa direção, cantarolando e deixando um rasto de amor por onde passava. Ele era tão lindo, minha alma se enchia de vida só de olhar para ele, mas eu não podia me desviar do nosso propósito.

Tal como planeado tudo aconteceu, eu o agarrei, o Hugo pegou em suas ferramentas e saímos correndo, mas antes que pudesse me afastar o suficiente, escutei ele dizendo que era cedo, gritou qualquer coisa sobre deixamos as coisas seguirem o próprio rumo e ser pacientes.

Ignorei completamente, claro que para ele era fácil falar, era tão adorável e fofinho, ninguém o chamava de barata tonta ou dizia que tinha olhos tortos. Eu só queria alguém que achasse isso fofo ou talvez normal.

Porém não demorou muito até perceber que ele estava certo, quando atiramos as flechas , elas se desfizeram no ar, tal como o arco em nossas mãos, nos deixando novamente frustrados e sem esperança.

Ficamos em silêncio por 5 minutos, não acreditando na nossa falta de sorte, pelo menos é nisso que eu pensava.

Hugo , como o cavalheiro que é, acompanhou-me à casa e acho que foi durante o abraço de despedida que confundimos tudo. Por um segundo achei que ele pudesse ser o meu amor e por um segundo ele achou que pudesse ser a mãe que o seu filho precisava.

Demos um beijo apaixonado, que de longe dava para notar a sua falsidade, nós estávamos desconectados.

Ele sorriu no final como se tivesse gostado ou só queria ser simpático, eu sorri de volta.

Nos despedimos marcando a data do próximo encontro que não ia acontecer, ele não era o que eu queria e nenhum jogo começa 1-0.

Eu mal sei cuidar de mim, imagina do seu bebê e dele. Desculpa, querido, mas ficamos por aqui.

E foi assim que tudo acabou. Para o caso de algum dia se perguntar, venha ler aqui.

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